O GP da China 2026 entrou para a história da Fórmula 1 neste domingo em Xangai. Kimi Antonelli converteu a pole position numa vitória dominante, cruzou a linha na frente do companheiro George Russell e colocou a Itália de volta ao topo do pódio da categoria depois de exatos 19 anos e 11 meses. Do outro lado do pódio, Lewis Hamilton estreou entre os três primeiros pela Ferrari. E Gabriel Bortoleto nem chegou a largar, por problemas mecânicos.
Antonelli faz história aos 19 anos no GP da China
Não é fácil carregar o peso de ser comparado a Ayrton Senna antes mesmo de completar 20 anos. Antonelli carregou. E respondeu em pista.
O italiano de 19 anos e seis meses saiu da pole mais jovem da história da F1 e não deu espaço para contestação. Controlou a corrida do início ao fim, administrou os pneus, geriu as pit stops e cruzou a linha à frente de Russell numa dobradinha que mostra onde a Mercedes está neste início de temporada. Mais organizada. Mais competitiva. Mais perigosa.
Com esse resultado, Antonelli se torna o segundo vencedor mais jovem da história da categoria, atrás apenas de Max Verstappen. Ele superou Sebastian Vettel, que havia vencido na Itália em 2008 com 21 anos. O recorde pertence a Vettel naquele contexto, mas Antonelli já está escrevendo um capítulo próprio.
A última vez que um italiano ganhou uma corrida de F1 foi no GP da Malásia de 2006, com Giancarlo Fisichella ao volante da Renault. Quase duas décadas depois, o país volta ao topo.
Hamilton: primeiro pódio com a Ferrari no GP da China
Lewis Hamilton subiu ao pódio pela Ferrari. Pela Ferrari.
Para quem acompanhou a novela da transferência de Hamilton para Maranello, ver o britânico no terceiro degrau com o macacão vermelho tem um peso simbólico enorme. Não foi uma vitória, claro. Mas é o sinal que os torcedores da Scuderia queriam ver: o carro está no caminho certo e Hamilton está se adaptando.
Porque terminar numa corrida assim, atrás de dois Mercedes em grande forma, não é motivo de vergonha. É motivo de análise e esperança.
Bortoleto não largou — e a situação é preocupante
Gabriel Bortoleto não completou nem uma volta sequer. Problemas mecânicos no carro da Audi impediram o brasileiro de participar da corrida, num fim de semana que já havia sido complicado: o próprio piloto admitiu que algumas partes do carro ainda não estão funcionando como deveriam e ainda assumiu culpa pelo desempenho fraco na classificação, onde largaria em 16º.
É um recado claro da situação da equipe de Hinwil. A Audi ainda está longe de ser competitiva e, por mais talentoso que Bortoleto seja, ele precisa de um carro que pelo menos chegue ao final das corridas. O GP da China não trouxe nenhum ponto, nenhuma volta de referência e nenhuma informação útil para o desenvolvimento. Uma perda completa de domingo.
Verstappen e a Red Bull: sinal de alerta
Max Verstappen não foi ao pódio. E fez questão de deixar claro que o carro está longe de ser o que ele esperava para este ano. O holandês chamou o RB de "indirigível" e não poupou as palavras para descrever o nível do chassi. Para um tricampeão acostumado a dominar, esse tipo de fala é um sinal de que a Red Bull tem problemas reais de desenvolvimento.
A Mercedes, por sua vez, aproveitou cada erro do rival.
Classificação do campeonato após o GP da China
Com a vitória, Antonelli lidera o campeonato de pilotos após as primeiras rodadas de 2026. Russell está logo atrás, e a Mercedes assume a ponta entre os construtores. Hamilton garante pontos importantes para a Ferrari, enquanto a Red Bull precisa responder rápido antes que a desvantagem aumente.
p>O próximo compromisso da F1 é o GP do Japão, em Suzuka, uma das pistas que melhor testa o equilíbrio aerodinâmico de um carro. Vai ser interessante ver se a Mercedes mantém o nível e se Verstappen consegue arrancar algo melhor de um RB que claramente não está entregando o que ele quer.Por ora, o GP da China 2026 foi de Antonelli. Um jovem de 19 anos que não apenas ganhou uma corrida de Fórmula 1: colocou a Itália de volta ao lugar onde ela sempre quis estar.