A sétima rodada do Brasileirão 2026 foi daquelas que mexem com a tabela de verdade. O São Paulo, que liderava, viu o Palmeiras passar por cima com vitória sobre o Botafogo. O Bahia confirmou sua pegada no G-4. O Cruzeiro afundou na lanterna. E o Coritiba fez algo que ninguém esperava em Mirassol. Muita coisa aconteceu — e vale destrinchar tudo.
Palmeiras recupera a liderança com vitória sobre o Botafogo
O Verdão ganhou por 2 a 1 no Allianz Parque e voltou ao topo do Brasileirão. Mas não foi uma noite redonda, não. O primeiro tempo foi de alto nível: Abel Ferreira com praticamente todos à disposição, Jhon Arias fazendo seu primeiro gol com a camisa alviverde e o time funcionando com muitas alternativas no ataque. Maurício, Allan e Flaco López participaram bem. Arthur surpreendeu positivamente na lateral esquerda, na ausência de Piquerez.
Aí veio o segundo tempo. E o roteiro mudou.
Com dois gols de vantagem e um jogador a mais após a expulsão de Medina, o Palmeiras simplesmente tirou o pé. Deu espaço pro Botafogo crescer. Danilo, cria da Academia, diminuiu sem comemorar — e de repente o Allianz Parque viveu uma tensão completamente desnecessária para o momento do jogo. A fala do próprio Arias depois resumiu bem: "Faltou matar o jogo antes."
O ponto de atenção é claro. Os últimos três gols sofridos pelo Palmeiras saíram do mesmo padrão: condutor de bola com liberdade para avançar e um pivô achando espaço na defesa. Isso tem a ver com a ausência de um volante mais marcador — e Abel vai precisar resolver isso em breve. Mas, por ora, o Verdão está na liderança. Três pontos são três pontos.
São Paulo tropeça em Belo Horizonte e cai da ponta
O Atlético-MG venceu o São Paulo por 1 a 0, e o resultado tirou o Tricolor paulista da liderança. Simples assim.
O que surpreendeu foi a forma como o Galo chegou a esse resultado. Eduardo Domínguez cumpriu a promessa feita após a eliminação no Mineiro: quem não correr, não joga. Scarpa, Dudu e Bernard ficaram de fora. Entraram Preciado, Iván Román e Cuello — e o time funcionou melhor do que muito esperava. Mais energia, mais pressão, mais disposição para marcar.
O gol saiu de uma jogada que conectou defesa e ataque: Bernard cruzou, Alan Franco escorou e Iván Román completou para a rede pela primeira vez com a camisa atleticana. Mais de 35 mil torcedores no estádio, time e torcida em sintonia, algo raro nesta temporada para o Galo.
Ainda não é futebol brilhante. Mas é mais consciente do que era. E, pro São Paulo, é mais um tropeço fora de casa que complica a vida na briga pelo topo.
Bahia domina o Bragantino e mantém o G-4 com folga
A melhor atuação do Bahia em 2026 aconteceu na Casa de Apostas Arena Fonte Nova. O Esquadrão venceu o Bragantino por 2 a 0 com uma noite que misturou a solidez defensiva construída este ano com a criatividade que fez o time bonito de 2025. Chegou aos 14 pontos e se firmou no grupo dos quatro primeiros.
Rogério Ceni acertou na escalação. Voltou com Caio Alexandre, Erick e Jean Lucas no meio — os três que mais entregaram na temporada. A presença deles foi decisiva nos dois gols: Luciano Juba marcou um golaço coletivo aos 16 minutos do primeiro tempo, e Erick completou de cabeça após cruzamento mal afastado pela defesa do Bragantino aos 39.
O Bahia foi dominante, criou mais do que marcou e Ronaldo só foi exigido nos minutos finais, quando o time já tinha baixado o ritmo. A única queixa — antiga, aliás — é o aproveitamento nas finalizações. Chances criadas, gols não convertidos. Ceni deve ter saído insatisfeito com isso. Mas 2 a 0 com autoridade é 2 a 0 com autoridade.
Cruzeiro na lanterna: a chegada de Artur Jorge não resolve tudo
No mesmo dia em que o clube praticamente sacramentou a chegada de Artur Jorge para o comando técnico, o Cruzeiro deu uma aula do que não se deve fazer dentro de campo. Perdeu para o Athletico-PR por 2 a 1 na Arena da Baixada e segue na lanterna do Brasileirão.
Os primeiros nove minutos disseram tudo. William cortou mal e Mendoza abriu o placar antes de um minuto. Oito minutos depois, Matheus Henrique cometeu pênalti em Viveros. Dois erros individuais grotescos que enterraram qualquer estratégia que Wesley Carvalho pudesse ter montado — e ele ainda estava sem Gerson, Matheus Pereira, Kaio Jorge e Lucas Romero.
Neyser diminuiu no segundo tempo e o time até ameaçou o empate. Mas um ponto ali seria mais por sorte do que por mérito. A tabela não mente: o desempenho do Cruzeiro justifica o último lugar muito mais do que o título mineiro mascara.
Artur Jorge vai assumir um time com problemas coletivos sérios. Sem inspiração ofensiva, sem resistência defensiva consistente e com a janela de reforços fechada até metade do ano. Os jogadores que estavam ausentes — e que fazem diferença — vão voltar. Mas o técnico português vai precisar de muito mais do que nomes para transformar essa equipe. Porque o problema, ficou claro na Arena da Baixada, é estrutural.
Coritiba quebra marca histórica do Mirassol e vira a sensação do ano
O Coxa entrou em campo em Mirassol como visitante e saiu com três pontos que valem mais do que parecem. O Mirassol tinha aproveitamento de 72,7% como mandante na Série A, com 13 vitórias e 9 empates em 22 jogos sem perder dentro do Maião. O Coritiba encerrou essa sequência.
E fez isso com time modificado. Maicon, Wallisson, Josué e Breno Lopes ficaram poupados. O sistema mudou de 4-3-3 para um 5-4-1 mais conservador. A ideia era clara: segurar o volume do adversário e esperar o momento certo para golpear. Pedro Rangel foi o destaque da primeira etapa, com defesas difíceis e um pouco de sorte numa bola no travessão.
O gol veio no segundo tempo. Pedro Rocha aproveitou erro de saída do Mirassol, a bola sobrou na área e Lavega finalizou após rebotes. Cirúrgico. Exatamente o que a proposta da partida pedia.
O Coritiba chega a 12 jogos de invencibilidade fora de casa — sequência iniciada em outubro do ano passado, com nove vitórias e três empates. Nenhum time no Brasileirão 2026 tem campanha melhor longe de seu estádio. É o time sensação da edição, sem discussão. O próximo teste é o Atletiba, na Arena da Baixada. Visitante, de novo. E agora contra o maior rival.
Inter sai da lanterna com ousadia de Pezzolano em Santos
A primeira vitória do Internacional no Brasileirão veio de um jeito que poucos esperavam: sem Alan Patrick, sem Mercado, sem Carbonero no onze inicial. Pezzolano apostou em um time mais jovem e mais dinâmico, justificou pelo desgaste físico, e o time respondeu. Ganhou do Santos por 2 a 1 na Vila Belmiro e saiu da lanterna.
Zé Ivaldo fez contra no início do segundo tempo para abrir o placar, num escanteio cobrado por Bruno Henrique. Neymar converteu pênalti para o Peixe — falta cometida por Vitinho. E aí veio o detalhe que faz o jogo: Carbonero entrou no segundo tempo, recebeu rebote de Brazão após cabeceio de Vitinho e mandou pro fundo com apenas nove minutos em campo. O substituto decidiu.
Villagra foi o destaque defensivo. Não atuava desde 21 de fevereiro e voltou como titular absoluto, anulando Neymar e participando da construção das jogadas. O Inter ainda está no Z-4, em 17º com cinco pontos. Mas a vitória dá fôlego e credita Pezzolano depois de semanas difíceis.
O que a 7ª rodada deixou de recado
A análise da 7ª rodada do Brasileirão revela uma competição ainda em aberto, com equilíbrio real na parte de cima e dramas sérios lá embaixo. Palmeiras na liderança, mas com falhas a corrigir. Bahia consistente e perigoso. Coritiba fazendo história em silêncio. Cruzeiro numa situação que vai exigir mais do que um técnico estrelado para reverter.
E o São Paulo, que liderava, vai precisar reagir rápido. A temporada é longa — mas a tabela começa a contar história cedo.