A Copa Sul-Sudeste 2026 entrou oficialmente no calendário do futebol brasileiro nesta segunda-feira (24/03). Dois jogos inauguraram a competição, que dá ao campeão uma vaga na terceira fase da Copa do Brasil de 2027. E o que se viu foram cenários completamente opostos: um empate travado na serra gaúcha e uma virada convincente no Paraná.

Caxias 0 x 0 Operário-PR: neblina, pressão e frustração

O primeiro jogo da história da Copa Sul-Sudeste aconteceu no Estádio Centenário, em Caxias do Sul, debaixo da tradicional neblina que costuma tomar conta da cidade. O Caxias dominou boa parte da partida, criou chances claras e terminou frustrado. O Operário-PR, por outro lado, saiu de lá com um ponto que vale muito mais do que o placar sugere.

Motivo simples: o Operário entrou em campo com um time inteiramente reserva. Nem o técnico Luizinho Lopes viajou a Caxias do Sul. Quem comandou a equipe foi Thiago Schumacher, treinador do Sub-20. A prioridade é a Série B.

E mesmo assim o Caxias não conseguiu furar a retranca.

No primeiro tempo, o grená demorou a se encontrar e viu Matheus Galdino quase encobrir Busatto logo aos 9 minutos, mas a finalização subiu demais. Nos minutos finais da etapa inicial, Felipe Rangel tentou duas vezes e parou nas mãos de Diego Monteiro. O segundo tempo foi um festival de oportunidades desperdiçadas pelo time da casa. Luis Miguel limpou a marcação na área e chutou pra cima. Calyson recebeu livre e finalizou mal. Gaspar ficou na cara do gol duas vezes e em ambas Diego Monteiro apareceu pra salvar.

Foram ao menos quatro defesas decisivas do goleiro do Operário. Ele foi, sem dúvida, o melhor em campo e o principal responsável por esse resultado.

Cartões amarelos: João Lucas, Carlos Miguel e Calyson (Caxias); Diego Monteiro (Operário-PR).

Escalações

Caxias: Busatto; Felipe Albuquerque, Ianson, Maurício Ribeiro e Victor Sá; Matheus Nunes (Breno Santos), Marcelo Freitas (Luis Fernando) e João Lucas (Vitor Feijão); Calyson, Luis Miguel (Gaspar) e Felipe Rangel (Jhonatan Ribeiro). Técnico: Marcelo Cabo.

Operário-PR: Diego Monteiro; João Gabriel, Charles, Bernardo (Vitinho) e Miguel; André Dantas (Kayo Fernandes), Felipe Favero (Henrique) e Dudu Mosconi; Galdino (Germano), Jhow Torres (Renan Gustavo) e Kauã Gomes. Técnico interino: Thiago Schumacher.

Cianorte 1 x 3 Volta Redonda: gol relâmpago iludiu, mas a virada veio rápido

Se o jogo da serra gaúcha foi de pouca emoção no placar, em Maringá aconteceu o contrário. O Cianorte abriu o marcador com menos de um minuto de bola rolando e mesmo assim saiu derrotado por 3 a 1 pelo Volta Redonda. Tudo isso diante de apenas 88 pagantes no Willie Davids, estádio usado porque o regulamento exige capacidade mínima de 5 mil lugares.

88 pagantes. É um número que diz bastante sobre o momento do futebol do interior paranaense.

Os gols do jogo

O Cianorte começou elétrico. Dener acertou um chute potente da entrada da área que explodiu no travessão. A bola voltou e David Kauã apareceu de cabeça para abrir o placar antes que o relógio marcasse dois minutos. Parecia que a noite seria longa pro Voltaço.

Mas a ilusão durou pouco. Aos 11 minutos, Ygor Catatau recebeu pela esquerda, cortou pra dentro e soltou uma bomba. O goleiro Fabiano deu rebote e MV estava posicionado pra empatar. Nos acréscimos do primeiro tempo, Wagninho bateu de canhota e Romarinho desviou na segunda trave com precisão cirúrgica. Virada antes do intervalo.

O terceiro gol veio logo aos 4 minutos da etapa final. MV cobrou escanteio pela esquerda, levantou na pequena área e o zagueiro Alan subiu completamente sozinho para cabecear. Fabiano ficou pregado no gol. Placar definido.

MV: o dono do jogo

Marcos Vinícius, o MV, foi o jogador mais influente da rodada inteira. Marcou o gol de empate, deu a assistência no terceiro gol com o escanteio pra Alan e ainda quase fez mais um de falta, acertando o travessão no segundo tempo. Participação direta nos três gols do Volta Redonda. Difícil imaginar desempenho mais completo num jogo de estreia.

Fabiano, goleiro do Cianorte, também merece menção honrosa. Fez defesas espetaculares mesmo na derrota. Logo após o terceiro gol, MV cobrou falta no travessão, Bruno Barra tentou de bicicleta no rebote e Fabiano voou pra desviar. A bola ainda bateu no travessão de novo. Lance cinematográfico.

Escalações

Cianorte: Fabiano; Cristovam, Ramom, Iago Motta e Pedrinho; Dener (Luciano), Ibson e David Kauã (Carlito); Hiago Henrique, Robson Luiz (Ryan Negueba) e Reifit (Felipe Laurindo). Técnico: Rafael Ferro.

Volta Redonda: Felipe Avelino; Wellington Silva, Alan, Lucas Adell e Jean Victor; Bruno Barra, Wagninho e Luciano Naninho; MV, Romarinho (Felipinho) e Ygor Catatau. Técnico: William de Mattia.

O que a 1ª rodada revelou sobre a Copa Sul-Sudeste

Dois jogos e dois perfis muito diferentes. No Grupo A, Caxias e Operário-PR dividem a pontuação, mas o sentimento é oposto: frustração para os gaúchos, alívio para os paranaenses. No Grupo B, o Volta Redonda lidera com 3 pontos e já mostrou que chegou pra competir de verdade.

A impressão inicial é que os clubes da Série B, como o Operário, vão usar o torneio como vitrine para reservas e garotos da base. Não é necessariamente ruim pra competição, porque cria oportunidades, mas pode gerar desequilíbrio se os adversários tratarem os jogos com mais seriedade. O Caxias tratou. E mesmo assim não venceu.

Já o Cianorte, com elenco reformulado após a chegada de 12 reforços e quase um mês sem jogar, sentiu a falta de ritmo de maneira evidente. O gol no primeiro minuto mascarou uma fragilidade que apareceu ao longo dos 90 minutos.

A competição segue e o prêmio principal está claro: quem levantar o troféu garante vaga na terceira fase da Copa do Brasil 2027. Para clubes dessas divisões, isso pode mudar uma temporada inteira.