O sorteio da fase de grupos da Libertadores 2026 foi realizado na noite desta quinta-feira (19/03/26) em Luque, no Paraguai, e o Brasil terá seis representantes: Flamengo, Fluminense, Cruzeiro, Corinthians, Palmeiras e Mirassol. A final está marcada para 28 de novembro, em Montevidéu.

A primeira rodada começa entre 7 e 9 de abril. Abaixo, como ficaram todos os grupos e o que esperar de cada um deles.

Como ficaram os grupos da Libertadores 2026

  • Grupo A: Flamengo, Estudiantes (ARG), Cusco FC (PER), Independiente Medellín (COL)
  • Grupo B: Nacional (URU), Universitario (PER), Coquimbo Unido (CHI), Deportes Tolima (COL)
  • Grupo C: Fluminense, Bolívar (BOL), Deportivo La Guaira (VEN), Independiente Rivadavia (ARG)
  • Grupo D: Boca Juniors (ARG), Cruzeiro, Universidad Católica (CHI), Barcelona (EQU)
  • Grupo E: Peñarol (URU), Corinthians, Santa Fé (COL), Platense (ARG)
  • Grupo F: Palmeiras, Cerro Porteño (PAR), Junior Barranquilla (COL), Sporting Cristal (PER)
  • Grupo G: LDU Quito (EQU), Lanús (ARG), Always Ready (BOL), Mirassol
  • Grupo H: Independiente del Valle (EQU), Libertad (PAR), Rosario Central (ARG), Universidad Central (VEN)

Agora, grupo a grupo, o que cada time brasileiro vai encontrar pela frente.

Grupo A: Flamengo e a chave mais difícil do Brasil

O Flamengo caiu no grupo mais complicado entre os brasileiros. Altitude, distância e um rival que já deu muito trabalho. Tudo que o presidente Bap disse que não queria.

O Cusco FC joga a 3.350 metros acima do nível do mar, no Estádio Inca Garcilaso de la Vega, com capacidade para 45 mil pessoas. O clube tem histórico modesto — disputou a Libertadores apenas em 2013 e 2014 com outro nome, Real Garcilaso — mas naquela época surpreendeu e chegou às quartas de final. Em 2026, começa mal o campeonato peruano: Seis dos sete jogos terminaram em empate ou derrota. Está no meio da tabela e longe de parecer ameaçador no papel.. Não parece ameaçador no papel. Mas altitude é altitude, e qualquer time joga diferente quando o adversário mal consegue respirar.

O Independiente Medellín representa o desafio logístico. Mais de oito horas de viagem, estádio Atanasio Girardot com 45 mil torcedores e um ambiente que já fez muita equipe sul-americana se complicar. O time colombiano está no 15º lugar do campeonato nacional, com aproveitamento de pouco mais de 42% em 14 jogos. Não vive grande momento. Mas o atacante Francisco Fydriszewski foi decisivo na Pré-Libertadores e pode incomodar.

O Estudiantes é o adversário mais perigoso do grupo. Tetracampeão da Libertadores, eliminou o Flamengo nas quartas do ano passado e só perdeu nos pênaltis. A Bombonera porteña não, mas o caldeirão de La Plata intimida bastante. O treinador Eduardo Domínguez saiu para o Atlético-MG e o substituto, Alexander "Cacique" Medina, começa de forma irregular: duas vitórias e duas derrotas. O time perdeu o volante Medina, contratado pelo Botafogo, e o meia Ascacibar, que foi para o Boca. Sem essas duas referências, o Estudiantes ainda é vice-líder do Apertura argentino, mas parece mais vulnerável do que no ano passado.

Na coletiva após a vitória sobre o Remo, o técnico Leonardo Jardim admitiu que não conhece os adversários. Honestidade, tudo bem. Mas o Flamengo vai precisar estudar muito esse grupo antes da estreia em abril.

Na minha leitura, esse é o grupo mais difícil do Brasil. Sem discussão.

Grupo C: Fluminense e a altitude de La Paz

O Fluminense tem o grupo mais acessível no papel entre os brasileiros. Mas existe um detalhe que muda tudo: La Paz, a 3.650 metros de altitude. Isso é mais alto que o estádio do Cusco. E o adversário que joga lá é o Bolívar, time com 40 participações na Libertadores e que sabe exatamente como usar esse fator a seu favor.

O Bolívar é comandado pelo argentino Flávio Robatto pela terceira temporada seguida e tem um elenco recheado de qualidade. O dominicano Dorny Romero fez 31 gols em 54 jogos em 2025. Carlos Melgar foi um dos mais participativos da última temporada — envolvido em mais de um terço dos gols do time em 54 jogos. E ainda tem o goleiro Carlos Lampe, o volante Ervin Vaca e o meia Robson Matheus, todos convocados para a seleção boliviana. Não é um adversário para menosprezar.

O Deportivo La Guaira chega como o mais fraco da chave, mas está invicto em 2026 com nove jogos. Cinco vitórias, quatro empates. O time venezuelano disputa a Libertadores pela terceira vez e nunca passou da fase de grupos, mas tem convocados para a seleção da Venezuela. Não vai facilitar.

Já o Independiente Rivadavia é o debutante absoluto. Nunca jogou a Libertadores. Fundado em 1913, só chegou à primeira divisão argentina em 2024 e garantiu a vaga conquistando a Copa da Argentina. Ironia: atualmente lidera o Grupo 2 do campeonato nacional, à frente de River Plate e Racing. É um time em ascensão e pode surpreender.

O Fluminense está em reconstrução e precisa do resultado na Libertadores para dar consistência ao projeto. A chave é administrável, mas La Paz vai cobrar um preço.

Grupo D: Cruzeiro no grupo mais equilibrado

O Cruzeiro voltou à Libertadores depois de sete anos. E voltou em grande estilo: direto para um grupo com o Boca Juniors, a Universidad Católica e o Barcelona de Guayaquil. Três equipes tradicionais, com estádios imponentes e histórico respeitável. O volante Pedro Júnior não estava errado quando chamou de "grupo da morte".

O Boca Juniors é o cabeça de chave e o maior obstáculo. Seis vezes campeão da Libertadores, a última em 2007. A Bombonera tem capacidade para 57 mil e já recebeu três finais do torneio. O elenco tem Leandro Paredes no comando, campeão do mundo com a Argentina, e Edinson Cavani, quando saudável. O técnico Claudio Úbeda está pressionado — o time faz campanha mediana no Apertura argentino. Mas Boca em Libertadores é outra conversa. O retrospecto direto pende para os argentinos, mas o Cruzeiro eliminou o Boca na Sul-Americana de 2024.

A Universidad Católica acabou de reinaugurar o estádio San Carlos de Apoquindo, após três anos de reforma e 50 milhões de dólares investidos. O gramado é artificial, o que pode incomodar. Gary Medel, revelado no clube e que voltou depois de passagens por Vasco e Boca, é o líder do elenco. O time está em quarto no campeonato chileno com campanha regular.

O Barcelona de Guayaquil é o time da cidade que tem virado notícia pelas razões erradas: a violência urbana cresceu muito por conta do narcotráfico. O Estádio Monumental tem 57 mil lugares e já recebeu finais da Libertadores. Chegou à fase de grupos eliminando Argentinos Juniors e Botafogo na preliminar. O atacante Dario Benedetto, ex-Boca, é o artilheiro da temporada com três gols.

O Cruzeiro estreia fora, contra o Barcelona, e recebe o Boca na terceira rodada. Uma sequência que vai dizer muito sobre as reais ambições da Raposa no torneio.

Grupo E: Corinthians e o peso do Peñarol

O Corinthians tem um grupo equilibrado, mas não fácil. O Peñarol é o principal obstáculo, e qualquer análise honesta precisa começar por aí.

Cinco vezes campeão da Libertadores, 52 títulos uruguaios no currículo, Diego Aguirre no comando desde 2023. O técnico é bem conhecido no Brasil — passagens por Santos, Internacional, São Paulo e Atlético-MG. Sabe bem o que é enfrentar times brasileiros e sabe usar isso a seu favor. O Peñarol acabou de conquistar a Supercopa Uruguaia, batendo o Nacional nos pênaltis. Está em terceiro no campeonato nacional com campanha sólida. O último encontro entre as duas equipes foi em 2021, pela Sul-Americana, e o Corinthians levou 6 a 0 no agregado. Contextos diferentes, mas o número impressiona.

O Santa Fé joga em Bogotá, a 2.640 metros de altitude. Mais um obstáculo logístico para um time brasileiro. A altitude de Bogotá não chega ao nível de La Paz ou El Alto, mas já foi suficiente para derrubar muita equipe que chegou sem preparação. O time colombiano, campeão em 2025, está mal em 2026: 15º lugar, com dois triunfos em 12 jogos. O uruguaio Pablo Repetto ainda não encontrou o caminho. Mas em casa, com a altitude a favor, muda de figura.

O Platense é o debutante. Em 120 anos de história, conquistou o primeiro título nacional no ano passado, o Torneo Apertura, batendo Racing, River Plate e San Lorenzo no caminho. É a primeira Libertadores do clube. O técnico Walter Zunino assumiu no fim de 2025, tem pouca experiência, e o time está apenas em nono no campeonato argentino. Provavelmente o adversário mais acessível do grupo para o Corinthians.

O Timão começa fora, contra o Platense, na semana de 8 de abril. Se vencer essa, ganha confiança para encarar o Santa Fé em casa na sequência. A chave tem solução, mas exige regularity.

Grupo F: Palmeiras com o grupo mais confortável

Sem exagero: o Palmeiras caiu no grupo mais tranquilo entre os brasileiros. Isso não significa que será fácil. Significa que o Verdão tem condições reais de fazer seis de seis se entrar focado.

O Cerro Porteño é o adversário mais perigoso. Mas o retrospecto é brutal: 10 vitórias do Palmeiras, quatro empates e apenas duas derrotas em 16 jogos oficiais. Uma das derrotas foi em 2006. Nos últimos quatro confrontos diretos, o Verdão ganhou todos, com placar agregado de 11 a 0. O elenco paraguaio tem nomes conhecidos — Gatito Fernández, Piris da Motta, Pablo Vegetti — mas o padrão de jogo do Palmeiras está claramente acima. A relação entre os clubes azedou em 2025 por conta de um caso de racismo na Libertadores sub-20, o que pode dar um tempero extra ao confronto.

O Junior Barranquilla é o atual campeão colombiano e chega com Carlos Bacca, Teófilo Gutiérrez e Luis Muriel no ataque. Muito nome, muita história europeia. Mas o Palmeiras tem 100% de aproveitamento contra os colombianos em jogos oficiais: quatro jogos, quatro vitórias, placar agregado de 11 a 1. Tem ainda um detalhe complicador para o Junior: o estádio Metropolitano de Barranquilla está em obras e o clube provavelmente não vai mandar os jogos em casa no seu estádio principal.

O Sporting Cristal fechou a chave como o time mais fraco, na avaliação de praticamente todo mundo que acompanha o torneio. Paulo Autuori no comando, elenco com Felipe Vizeu e Gabriel (ex-Mirassol e Flamengo), campanha medíocre no Peru. Na última Libertadores, o Palmeiras ganhou os dois confrontos e aplicou 6 a 0 em casa.

O Verdão vai precisar de atenção, não de preocupação. A fase de grupos parece encaminhada para a classificação com folga.

Grupo G: Mirassol na estreia mais difícil do Brasil

Respeito ao Mirassol. O clube do interior paulista chega à primeira Libertadores da história e caiu num grupo que testaria qualquer equipe experiente no torneio continental.

O Lanús é o atual campeão da Sul-Americana e da Recopa — bateu o próprio Flamengo na Recopa. Não disputa a Libertadores desde 2017, quando foi vice para o Grêmio, mas voltou em alta. Mauricio Pellegrino no comando, com passagem por Liverpool e Inter como auxiliar. O meia Marcelino Moreno, camisa 10, soma 26 gols e 24 assistências em pouco mais de 100 jogos pelo clube. O time vem de goleada de 5 a 0 sobre o Newell's Old Boys e está em sequência positiva. É o favorito do grupo.

A LDU Quito tem história pesada no continente. Campeã da Libertadores em 2008, justamente sobre o Fluminense em pleno Maracanã. Tem ainda duas Sul-Americanas no currículo. O técnico é Tiago Nunes, brasileiro com passagens por Athletico-PR e Corinthians, que no ano passado levou a LDU às semifinais da Libertadores, eliminando Botafogo e São Paulo. O estádio Rodrigo Paz Delgado fica a 2.734 metros de altitude em Quito. Outro obstáculo geográfico para o Mirassol enfrentar.

O Always Ready é o mais temível em casa. O Municipal de El Alto fica em Villa Ingenio, a mais de 4.000 metros de altitude. Para ter ideia: é o segundo estádio mais alto do mundo. Jogar lá sem adaptação é correr risco real de não aguentar os 90 minutos. O Brasil já perdeu lá nas Eliminatórias, por 1 a 0. O clube boliviano é o atual campeão nacional e nunca passou da fase de grupos na Libertadores, mas usa a altitude como arma decisiva. Héctor Bobadilla, atacante paraguaio de 24 anos, fez 18 gols em 2025 e é a principal referência ofensiva.

Para o Mirassol, a missão é honrar a participação, tentar pontuar nos jogos em casa e aprender com cada jogo. É a maior aventura da história do clube. E isso, por si só, já vale muito.

O calendário da fase de grupos

As seis rodadas acontecem entre abril e maio:

  • 1ª rodada: 7 a 9 de abril
  • 2ª rodada: 14 a 16 de abril
  • 3ª rodada: 28 a 30 de abril
  • 4ª rodada: 5 a 7 de maio
  • 5ª rodada: 19 a 21 de maio
  • 6ª rodada: 26 a 28 de maio

As oitavas de final começam em agosto. A final é em 28 de novembro, em Montevidéu.

Entre os seis times brasileiros, o Palmeiras tem o caminho mais favorável. O Flamengo, o mais difícil. E o Mirassol, a história mais bonita de contar, independente do resultado.