Alguns chegam a embolsar mais de R$ 5 milhões por mês. Outros, que vestem a mesma camisa amarela, recebem seis vezes menos. Os salários dos jogadores da Seleção Brasileira refletem uma realidade simples: a maioria atua na Europa, em clubes que pagam em euro, e a diferença entre o topo e a base da lista é enorme.

Mas tem um detalhe que muita gente não sabe: durante as convocações, quem paga o salário desses jogadores não é a CBF. É o clube.

A CBF paga alguma coisa para os jogadores?

Tecnicamente, não — pelo menos não como salário fixo. A relação entre o atleta e a seleção é tratada como uma prestação de serviço temporária, não como um vínculo empregatício. Então, enquanto o jogador treina no CT e joga pela Canarinho, o contrato com o clube segue valendo e o clube continua arcando com o pagamento mensal.

A CBF pode oferecer bônus por resultados, como premiações em torneios. Mas o salário em si? Corre por conta do empregador original.

E isso já gerou atrito. Pela Lei Pelé, a CBF deveria reembolsar os encargos dos jogadores cedidos durante o período da convocação. Na prática, nem sempre isso acontece — e clubes como o Flamengo já tentaram cobrar a entidade por isso sem grande sucesso.

Quanto ganham os jogadores da Seleção Brasileira?

Os valores abaixo são referentes aos salários mensais pagos pelos clubes, com base em dados do Capology e na cotação do euro de outubro de 2024. Servem como referência sólida para entender a escala salarial do elenco.

Goleiros

  • Weverton (Palmeiras) – R$ 650 mil
  • Bento (Al-Nassr) – R$ 3,6 milhões
  • Ederson (Manchester City) – R$ 6,8 milhões

Defensores

  • Danilo (Juventus) – R$ 2,83 milhões
  • Vanderson (Monaco) – R$ 1,6 milhão
  • Abner (Lyon) – R$ 650 mil
  • Guilherme Arana (Atlético-MG) – R$ 1 milhão
  • Bremer (Juventus) – R$ 4,4 milhões
  • Éder Militão (Real Madrid) – R$ 3 milhões
  • Gabriel Magalhães (Arsenal) – R$ 1,4 milhão
  • Marquinhos (PSG) – R$ 2 milhões

Meias

  • André (Wolverhampton) – R$ 2 milhões
  • Bruno Guimarães (Newcastle) – R$ 4,3 milhões
  • Gerson (Flamengo) – R$ 820 mil
  • Lucas Paquetá (West Ham) – R$ 4,6 milhões
  • Rodrygo (Real Madrid) – R$ 3 milhões

Atacantes

  • Endrick (Real Madrid) – R$ 1,05 milhão
  • Igor Jesus (Botafogo) – R$ 825 mil
  • Gabriel Martinelli (Arsenal) – R$ 1,1 milhão
  • Luiz Henrique (Botafogo) – R$ 800 mil
  • Raphinha (Barcelona) – R$ 5,7 milhões
  • Savinho (Manchester City) – R$ 1,12 milhão
  • Andreas Pereira (Fulham) – R$ 1,579 milhão

Quem são os maiores salários da seleção?

Raphinha lidera entre os convocados mais recentes, com R$ 5,7 milhões mensais pelo Barcelona. Mas quando se olha para os valores anuais em euro, o quadro muda um pouco: Marquinhos bate €16,8 milhões por ano no PSG, o que o coloca no topo absoluto da lista. Rodrygo e Raphinha aparecem na sequência, ambos em torno de €12,5 milhões anuais nos seus respectivos clubes.

Ederson, no Manchester City, também chama atenção: R$ 6,8 milhões mensais para um goleiro é um número que poucos jogadores de linha no Brasil inteiro conseguem alcançar.

Números de outro planeta.

E os jogadores que atuam no Brasil?

A diferença é gritante. Weverton, titular do Palmeiras e um dos nomes mais respeitados do futebol brasileiro nos últimos anos, recebe R$ 650 mil por mês — o mesmo valor que Abner, lateral do Lyon. Gerson, do Flamengo, fica em R$ 820 mil. Luiz Henrique, do Botafogo, em R$ 800 mil.

Porque o euro faz toda a diferença nessa conta. Um jogador com salário mediano num clube de Premier League facilmente ultrapassa qualquer contrato do Brasileirão em termos absolutos.

Isso não significa que os jogadores que ficam no Brasil sejam menos competitivos ou menos importantes para a seleção. Mas deixa claro onde está concentrada a maior fatia do dinheiro do futebol mundial.

O técnico também entra na conta

Dorival Júnior, que comandou a seleção até ser substituído por Carlo Ancelotti, recebia R$ 1,83 milhão por mês da CBF. Esse, sim, é um contrato direto com a confederação — diferente dos jogadores, o técnico é contratado pela própria CBF e remunerado por ela.

O que esses números dizem sobre a seleção?

Dizem que o elenco brasileiro, quando completo, é formado por atletas entre os mais bem pagos do mundo nas suas posições. Marquinhos no PSG, Rodrygo no Real Madrid, Raphinha no Barcelona, Ederson no City — são jogadores titulares em clubes que dominam a Champions League há anos.

E ainda assim a seleção passou por uma fase difícil nas Eliminatórias, o que mostra uma coisa: salário alto não é sinônimo de time funcionando. Nunca foi.

A Copa do Mundo de 2026 está chegando. O Brasil tem os jogadores, tem os salários, tem a estrutura. O que falta, como sempre, é transformar tudo isso em resultado dentro de campo.