Vinte e dois de vinte e seis. Esse é o número que resume a composição da Seleção Brasileira na convocação de março de 2026, a última antes da lista final para a Copa do Mundo. Carlo Ancelotti chamou um grupo com esmagadora maioria de jogadores que atuam fora do Brasil — espalhados por Inglaterra, Espanha, Itália, França, Turquia e até Arábia Saudita.
Só quatro nomes da lista defendem clubes brasileiros. Todos do Flamengo.
Quem são os 4 convocados que jogam no Brasil?
Alex Sandro, Danilo e Léo Pereira formam o trio da defesa rubro-negra na convocação. O quarto nome é Danilo, volante do Botafogo, que aparece como opção para o meio de campo.
É uma lista que diz muito sobre o futebol brasileiro nos dias de hoje. Dos 26 nomes escolhidos para representar o país no momento mais importante do ciclo, o campeonato nacional contribui com apenas quatro atletas. E três deles estão no mesmo clube.
Os 22 convocados que jogam fora do Brasil
A lista internacional cobre praticamente todos os grandes campeonatos da Europa. Veja como ficou dividida por setor:
Goleiros: Alisson (Liverpool), Bento (Al-Nassr) e Ederson (Fenerbahçe). Nenhum dos três atua no Brasil. Alisson lesionou Achilles e foi substituído por Hugo Souza, do Corinthians, que entrou na lista depois da convocação original.
Defesa: Bremer (Juventus), Douglas Santos (Zenit), Gabriel Magalhães (Arsenal), Ibañez (Al-Ahli), Marquinhos (PSG) e Wesley (Roma). Seis defensores, seis clubes estrangeiros.
Meio-campo: Andrey Santos (Chelsea), Casemiro (Manchester United), Fabinho (Al-Ittihad) e Gabriel Sara (Galatasaray). Quatro meio-campistas de fora do país.
Ataque: Endrick (Lyon), Gabriel Martinelli (Arsenal), Igor Thiago (Brentford), João Pedro (Chelsea), Luiz Henrique (Zenit), Matheus Cunha (Manchester United), Raphinha (Barcelona), Rayan (Bournemouth) e Vinicius Júnior (Real Madrid).
Nove atacantes convocados. Todos atuam no exterior.
O que esse número revela sobre a Seleção?
Não é novidade que os melhores brasileiros estão fora. Mas ver esse dado consolidado assim, 22 de 26, é um retrato bastante claro do momento do futebol nacional.
Desde a Copa do Qatar, em 2022, a CBF já convocou 94 jogadores diferentes para a Seleção. Ancelotti, em menos de um ano no cargo, chegou a 56 atletas chamados ao longo de cinco convocações. O italiano deixou claro que nenhuma posição está fechada — e que quem quer ir à Copa precisa estar jogando bem, independente de onde atua.
Mas a realidade é que o futebol brasileiro tem aparecido pouco nessa disputa. Não por falta de qualidade em todos os casos, mas porque o nível de exposição e competição nas principais ligas europeias coloca os jogadores num patamar diferente de observação e desenvolvimento.
E o Flamengo, sozinho, representa 75% dos convocados que atuam no Brasil. Dado que fala tanto sobre o clube quanto sobre o resto do campeonato.
Os amistosos antes da Copa
Com esse grupo, o Brasil enfrenta a França no dia 26 de março, em Miami, e a Croácia no dia 31, em Nova Jersey. Dois jogos. Últimos testes antes de Ancelotti bater o martelo na lista definitiva para o Mundial.
Quem não estiver nesses jogos vai torcer para que alguém se machuque ou caia de rendimento. É assim que funciona quando as vagas estão acabando e a Copa está logo ali.