O derby no Morumbis durou 90 minutos, mas o Palmeiras resolveu em cinco. Jhon Arias recebeu de Flaco López, bateu com categoria e deixou o São Paulo correndo atrás de um empate que nunca veio. Final: 1 a 0. Liderança consolidada. E uma sequência de questionamentos sobre o estilo do Verdão que, na prática, não muda absolutamente nada.

O que o derby mostrou sobre o Palmeiras de Abel

Tem muita gente que assiste ao Palmeiras jogar e sai com aquela sensação de que faltou alguma coisa. Que o time poderia ter feito mais, que jogou recuado demais, que dependeu demais da transição. Calleri resumiu essa percepção no vestiário depois do jogo: "Gol aos 5 minutos e jogou do meio para trás." Mas aí está o detalhe que muita gente ignora: o São Paulo não criou quase nada.

Carlos Miguel praticamente não trabalhou. Gómez apagou Calleri no pivô. A chamada "pressão" tricolor no segundo tempo foi mais consequência do desgaste natural do Palmeiras do que volume real de ataque construído pelo São Paulo.

Três finalizações no jogo inteiro. Esse foi o número do time da casa. Não é pouco — é muito pouco.

Arias chegou de vez

Contra o Botafogo já tinha dado sinais. No Morumbis, confirmou. Jhon Arias foi o nome do derby e, de certa forma, o nome desta fase do Palmeiras. O colombiano funciona como válvula de escape num time que às vezes trava no campo adversário — ele acelera, acha o espaço, toma a decisão rápida. O gol foi o desfecho natural de uma atuação que dominou os lances decisivos da partida.

Esse nível de impacto em jogos grandes é o que o Palmeiras esperava quando trouxe o jogador. Parece que chegou a hora.

A surpresa que funcionou: Giay na direita

Abel prometeu mudanças e cumpriu. Piquerez voltou após problema físico. Mas a grande novidade foi manter Giay como titular na lateral direita, e o argentino correspondeu de um jeito que surpreendeu até quem já apostava nele. Seguro atrás, perigoso na frente. Deixou Allan em posição de gol numa jogada que poderia ter matado o jogo ainda no primeiro tempo. Não é o perfil que Giay tinha mostrado desde que chegou ao Alviverde — foi uma versão mais completa.

O que o Palmeiras ainda precisa corrigir

Tem um padrão que se repete. O Verdão abre o placar, controla, mas não mata. Já aconteceu em outras rodadas, aconteceu de novo aqui. A chance de Allan, que saiu na cara do gol, era o momento certo de encerrar o assunto. Não foi aproveitada.

No longo prazo, esse hábito de não ampliar o placar em jogos controlados pode cobrar um preço. Por enquanto, a defesa tem segurado. Mas a margem de erro existe.

Porque ganhar por 1 a 0 com o jogo bem encaminhado é resultado. Ganhar por 1 a 0 sofrendo nos últimos 20 minutos é gestão de crise. Nesse jogo foi mais o primeiro — mas o limite entre os dois é fino.

Líder com méritos, independente do estilo

O fato é que o Palmeiras está na ponta do Brasileirão depois de oito rodadas. Não por sorte. Não por calendário favorável. Por efetividade e por uma organização defensiva que, nesta temporada, já mostrou solidez suficiente para passar por situações difíceis sem ceder.

A fala de Calleri, curiosamente, descreve exatamente o que o Palmeiras de Abel faz de melhor: marcar cedo, fechar os espaços, suportar. Pode não ser o futebol mais bonito do Brasil em 2026. Mas é o mais eficiente até agora. E num campeonato de pontos corridos com 38 rodadas, regularidade vale mais do que estética.

O próximo compromisso é dia 2 de abril, contra o Grêmio, na Arena Barueri. A Data Fifa vem antes disso — tempo suficiente para Abel reorganizar o elenco, recuperar quem estava desgastado e chegar ao duelo em condições ideais. Quem está na liderança tem esse luxo.